quarta-feira, dezembro 07, 2005

Preciso de palpitar
em tom irreflectido,
as pálpebras por levantar
em sinal de descrença.

Preciso de realidades.
Explorar-me via alguéns,
especialmente hoje,
pelo menos enquanto escape.

Nunca estive a falar de sexo.
Isso paga-se sem complexo,
e faz-se sem preconceito.
O que me dava mesmo jeito

eram componentes expressivas
das que entre pessoas se avivam,
principais e libertadoras
de mensagens invísiveis.

De resto, está um nevoeiro
para além disto,
e tapadas estão as medidas
do importante, para além disto.

É natural.
O dia nunca é global.
A perspectiva só cabe num dia,
fica restrita ao banal.

Sei só que não se trata
de nada demasiado simples,
nem demasiado complicado,
mas sim de uma intangibilidade

irritantemente sempre ao alcance.
Mas destas irreflexões pouco se tira,
principalmente com cabeças pessoais
e intransmissíveis, que só são aquilo que são.

Disto se tira talvez,
em clave de fórmulas,
a insistência em ineficácias,
se assim se quiser, ou então

o pergaminho amarelecido
pela prosaicidade que cabe
em papéis, mas não em existências,
defensivas portanto, justificações.

Nada disto é verdade. Se a quiserem aceitar,
a única verdade é a falta de algo
conjugada com uma leve insónia
dispersa em papel vagamente confirmado.